2010 - early 2013 

"Oie" era a palavra que obrigatoriamente começava todas as nossas conversas. Ainda é, pra dizer a verdade.

Não há muito a ser dito sobre isso. Nossos momentos juntos sempre foram, ao mesmo tempo, distantes. Januário em sua casa, eu na minha.

It must be true what people say
That only time can heal the pain
And every single day I feel it fade away but
I still remeber how the distance tricked us
And led us helpless by the wrist into a pit to be devoured
I still remember how we held so strong to this
Though we had never really settled on a way out
I still remember the silence
And how we'd always find a way to turn back and run to our mistakes
I still remember how it all came back together
Just to fall apart again
My dear, I hear your voice in mine
I've been alone here
I've been afraid, my dear
I've been at home here
You've been away for years
I breathed your name into the air
I etched your name into me
I felt my anger swelling
I swam into its sea
I held your name inside my heart
But it got buried in my fear
It tore the wiring of my brain
I did my best to keep it clear
So dear, no matter how we part
I hold you sweetly in my hand
And if I do not miss a part of you, a part of me is dead
If I can't love you as a lover, I will love you as a friend.
Os planos não foram vagos de significado, porém, feitos numa época em que a realidade era surreal.

"Te levo um cupcake amanhã"

— This is kinda weird. I shouldn’t be so excited to meet you already.

— Yeah, I’m feeling kind of the same way.

— Good, at least I’m not excited all by myself.

Sábado, 8 de março de 2014

Chegou junto de seu amigo. Ambos me cumprimentaram com um beijo no rosto, em público. Fiquei um pouco desconfortável no começo.

Andamos um pouco naquela cidade nova que mais me parecia um universo novo. Poucos minutos depois, já tínhamos uma noção básica do sofrimento que cada um passara na vida, enquanto o amigo comprava maconha.

Fomos para a casa do amigo.

Enquanto seu amigo montava um cigarro, lutei contra a vergonha e abracei-o, já que tínhamos um pouco mais de privacidade lá dentro. A troca de olhares transpareceu a satisfação em termos nos conhecido.

— Sabe, Léo — disse o amigo. — Curitiba é uma cidade linda e você irá adorá-la a princípio, mas depois, os podres começam a aparecer e o encanto começa a sumir.

Ainda assim, estava maravilhado. As ruas da cidade, a companhia, os cigarros de filtro branco e a vista daquela sacada no décimo andar eram os elementos essenciais daquele novo universo.

— Você vai achar que eu sou louco, mas acho que já estou apaixonado. Meu Deus, eu acabei de te conhecer… Cê não vai me comer e desaparecer como já fizeram antes, não é?

— Claro que não. Não sou desses.

Encerrei aquele assunto com um beijo curto e simples.

[…]

Domingo, 9 de março de 2014

Deitados na cama, uma sensação anormal de que nos conhecíamos há anos veio à tona.

Beijos macios, abraços, nossas mãos alternando entre entrelaçadas e alisando nossos corpos.

Menos de vinte e quatro horas já bastaram para que disséssemos as duas palavras mais ditas em vão pelo ser humano. Mas dessa vez, foram verdadeiras como uma criança.

My love, my love is more than just love 
It's figuring everything out when we have no clue, my Love 
We are more than 
Just another 
Movie moment 
I'm not gonna wait for rain for me to kiss you,
My Love

[…]

E apesar de todas as limitações, março fora um mês inexplicável. Recordei como é a felicidade. Recordei como é sorrir e gargalhar sem motivo aparente. Recordei como é ter perspectiva e objetivos. Recordei de como é mais prazeroso se importar com o interior. Recordei de como é andar livre de qualquer peso sobre meu corpo. Recordei de quem eu era. De quem eu sou.

Meu ano novo em 2014, ao contrário dos outros anos, começou em março.

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...
É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho...

Atrás da Porta

Terça-feira, 5 de novembro de 2013

— Quer jantar comigo hoje?

— Não posso, tenho aula importante. Amanhã estou disponível.

— Então jantaremos na quarta. Onde você quer ir?

— Não sei, não tô muito afim de sair. Prefiro ir ao hotel que você tá e pedir comida por telefone.

— Tudo bem.

Eu não queria jantar com um desconhecido. Meu objetivo era gozar e ir embora, como havia feito cinco dias atrás.

[…]

Quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Coloquei o endereço no GPS do celular e fui andando até lá com a mochila nas costas. Para meus pais, era um dia comum em que eu iria pra aula. Fui andando até a Rua Barão de Jaguara, que não era tão longe de minha antiga casa. Sentia uma mistura de excitação e arrependimento.

Cheguei no hotel, o Opala Barão. Demos um aperto de mão e um sorriso. Em seguida, entramos no elevador.

— Pensei que você fosse mais alto.

Entramos no quarto. Meu objetivo era única e exclusivamente gozar. Rapidamente me despi, atitude que quase quatro meses depois, me renderia um comentário antiquado sobre minha pessoa: “pensei que você fosse um garoto de programa”.

Não fizemos muita coisa porque o doutor tentou algo diferente do que havíamos combinado. Ficamos ali, despidos, conversando.

— Garoto, posso tirar uma foto sua? Gostei muito de hoje e quero registrar o momento.

[…]

Os meses de novembro e dezembro foram terapêuticos. Me senti querido depois de meses de rejeição de amigos, meus pais e o Rei Gelado.

[…]

Quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

— É, Pepeu… É amanhã que vou pra Curitiba. Não me esquece, cê sabe que eu volto pra cá em abril. Prometo.

— Eu sei, pode ficar tranquilo. Não vai acontecer nada.

E realmente não aconteceu. Todas as promessas e juramentos não passaram de meras palavras.

Nunca conheci, de fato, aquela pessoa. A recíproca foi falsa, porém, fez com que eu me lembrasse de que não sou um robô. 

Run until your feet hurt
Run so far you forgot where you start
Run until your heart aches like a song never to be sung
I don't know how this feeling got so strong
Now I've lost it all
I wanna be your high
You'll be my low
Now we'll never know
A ghost of the heart, you fell appart
And I can't explain
A ghost of the heart, memories of ours
Have now been erased
Wherever you look Whenever you're sad We gave it the best we had Wherever you stay Wherever you go I know I'm not afraid of what comes next But somethings are better left unsaid

Segunda-feira, 11 de março de 2013 - Ice King

 Você tem problema da cabeça? Alguma vez já parou pra pensar que eu poderia ser um pedófilo da internet com a intenção de te estuprar ou te matar, menino?

 Mas esse não é o caso, não é?

 Pra sua sorte, não.

Mesmo um pouco envergonhado, olhei e analisei aquele quarto com lentidão e certo encanto. Simples, mas sofisticado. Nada além das necessidades de um universitário; uma cama, uma escrivania com alguns cadernos e livros, um guarda-roupa, um laptop e uma tevê que só tinha uso graças a um vídeo-game.

Alguns segundos de silêncio.

— Tira suas roupas molhadas e veste isso aqui. Você devia ter se programado antes de aparecer aqui.

Normalmente, eu teria programado tamanha aparição com antecedência, mas em três meses de anseio, essa oportunidade repentina e desplanejada foi a única que consegui colocar em prática.

Tirei minha camiseta e o Rei Gelado automaticamente virou-se de costas. Estranhei a atitude que ao mesmo tempo me pareceu bonitinha.

— Ei, não tô mais pelado. Vira aqui.

Virou-se. Mais alguns segundos de silêncio com a adição de olhares que gritavam.

— Ah, kid, verdade! Te prometi um bear hug.

Nos abraçamos. Minha cabeça ficou ali, em seu peito, por alguns minutos, enquanto seus braços rodeavam minhas costas e vice-versa. Quando levantei a cabeça, nossos lábios se encontraram num beijo simples e pouco explicito que foi se intensificando aos poucos. Não foi o melhor beijo que já tivera naquela época, mas a sensação de carinho recíproco vinda de meu primeiro amor fora internamente maravilhosa.

Passados alguns instantes, estávamos deitados, comendo a caixa de bombons da Lacta que eu havia comprado. Dentro dela, havia um desenho de Finn e Rei Gelado, mais uma história em quadrinhos que terminava com “I’m all yours, so please be all mine” que me rendeu alguns sorrisos.

[…]

Domingo, 17 de março de 2013.

— Sabe, kid, aqui não é minha casa. Olhe ao seu redor. Vê vasos com flores, porta-retratos ou qualquer outro tipo de decoração? Não. Aqui não é minha casa. Não tenho casa há uns 5 anos. Até a casa dos meus pais que me hospeda todos os finais de semana não é mais minha casa. Esse quitinete nada mais é do que o lugar que eu moro, mas não é minha casa.

Algumas horas depois, tudo desmoronou em todos os sentidos possíveis. 

Às vezes, ainda reflito sobre o que conversamos nessa noite de domingo.

Rei Gelado fez jus ao seu nome, e uma coisa aprendi: uma “casa” nada mais é do que um estado em que o coração se sente bem.